
Friday, September 16, 2005
1º Dia - Cartago/ Sidi Bou Said / Museu Bardo
Das ruínas de Cartago à Aldeia piscatória azul e branca de Sidi Bou Said
Trimmmm.. 6H00 am, hora de acordar, para tomar o pequeno-almoço e arrancar às 7H00 am, hora de iniciar o nosso circuito.O pequeno-almoço, não é melhor que o jantar. Só existe sumo, croissants em miniatura, fruta, pão e ovos crus. Ok, parece ser mais internacional, mas vão lá ver o aspecto.Ao entrarmos no autobus, fomos informados que faríamos o percurso ao contrário, em vez de começarmos pelo litoral, começaríamos pelo interior. Na altura desorientou-nos o guia escrito, mas mais tarde, tivemos direito a um bónus, por termos seguido este itinerário.Atravessámos o famoso lago, que vos falei anteriormente, e rumamos a “Cartago”, cidade histórica em ruínas. Vou fazer um breve resumo, sobre este povo e o que sucedeu em Cartago, para que consigam imaginar o quão importante foi na história.«Os poeni, nome dado pelos Romanos aos povos que habitavam a região onde hoje fica a Tunísia, deram origem à civilização púnica que, centralizada na cidade de Cartago, alcançaria grande desenvolvimento comercial no norte da África, no sul da península ibérica e nas ilhas mediterrâneas de Ibiza, Córsega, Sardenha e Sicília. A expressão fenícia Qart Hadasht, "cidade nova", gerou, ao latinizar-se, a denominação de Cartago, colónia fundada por comerciantes fenícios, no século IX a.C., de fundamental importância estratégica. A florescente civilização cartaginesa chegou a desafiar o poder de Roma, o que causou seu desaparecimento. No início, a colónia dependia de Tiro, a principal cidade fenícia; mas, depois a civilização cartaginesa sobreviveu por si mesma e conseguiu constituir um império. A dinastia dos magônidas impulsionou o crescimento de Cartago, que fundou novas colónias, como Ibiza, Sicília, Sardenha e todo o litoral do Mediterrâneo. Nos séculos VI e V a.C surgiram rivalidades pelo domínio das rotas marítimas entre Cartago e as cidades da chamada Magna Grécia, que agrupava as colónias gregas do sul da Itália. Os confrontos com os gregos da Sicília sucederam durante anos. Cidades como Gela, Siracusa ou Camarina sofreram constantes ataques dos cartagineses, preocupados em salvaguardar seu império. Cartago não desistiu até conseguir dominar a ilha, de grande importância para a sua economia. Os povos da Sardenha, da península ibérica e do norte da África viram penetrar o exército cartaginês. O grande império púnico, constituído por celtiberos, líbios, númidas e mauritanos, viu-se defrontado com o crescente poder da civilização romana.O antagonismo entre os dois povos originou as três guerras púnicas, a primeira das quais (164-241 a.C.) Sicília de Messina, apoiada por Cartago, e Siracusa em 264 a.C.A segunda guerra púnica (218-201 a.C.) se originou das conquistas realizadas por Aníbal em território ibérico.A terceira guerra púnica (149-146 a.C.) foi precipitada pelos ataques de Massinissa, chefe númida, e Cartago sucumbiu depois de um terrível assédio de três anos.Quando os soldados romanos entraram na cidade, destruíram cada rua e cada casa. A posição estratégica de Cartago levou os romanos a construírem no local, em 35 a.C., uma nova cidade, submetida mais tarde ao domínio Bizantino.Acredita-se que no tempo dos cartagineses, era alimentado o culto no medo e na submissão a deuses cruéis e terríveis. Professava-se a Baal-Hamon, senhor dos altares; a Tanit, ligada à fertilidade e à Lua; e a outras divindades fenícias, como Melqart. Os deuses não tinham representação física e eram concebidos como símbolos abstractos de significado misterioso.O mais importante da história deste lugar, é saber que por baixo das actuais ruínas jaz a cidade-estado dos cartagineses. Com a tomada de posse dos Romanos, a cidade foi destruída e sobre ela, construiu-se uma cidade tipicamente romana, que corresponde às ruínas de hoje.»Ainda ao cimo da montanha, temos uma vista maravilhosa para o porto marítimo. Sem dúvida, que era um lugar de estratégia comercial. Mais à frente um cemitério, que crê-se ser cartaginês, com pequenos túmulos, pertencentes a crianças.Estas crianças eram oferecidas em sacrifício ao Deus Baal-Hamon. Neste local encontramos uma pequena gruta, com mais algumas campas que nos pareceram ser de maior importância.Toda esta área é envolvida de ruínas, e é também envolvente a sua história.A importância de Cartago, passou na história, vai desde o império Grego, ao Romano.Ainda nas ruínas, fomos proibidos de fotografar o palácio presidencial, que se encontra do lado esquerdo das ruínas, numa longa encosta, com a aparência de um castelo.Escusado será dizer que esta localidade de Cartago, se tornou a zona “chic” habitacional, da Tunísia.
A aldeia Piscatória Azul e Branca de Sidi Bou SaidSeguimos agora para a zona “chic” onde o jet set Tunisino e estrangeiro, passa férias. “Sidi Bou Said”, a aldeia piscatória, azul e branca.A aldeia medieval de Sidi Bou Said, fica na falésia que domina Cartago e o Golfo de Tunes, foi o primeiro local do mundo a ser considerado património protegido. Situa-se numa colina e serviu de farol aos primeiros navegadores. Hoje é lugar de inspiração para escritores e artistas. Trata-se de um pequeno paraíso à beira do Mediterrâneo, pintado com as cores do mar e do céu.Durante 1500 anos (séculos VIII a.C. a VIII d.C.), a colina foi um subúrbio de Cartago púnico, romana, vândala e bizantina. Após a conquista de Cartago (700-701), foi construído um Ribat (fortaleza), no cimo da colina Yebel Manar. Sobre as ruínas deste Ribat, em 1840, instalou-se um farol moderno, completado vinte anos mais tarde. Sidi Bou Said é uma abreviação em muçulmano do nome do santo que aqui viveu no princípio do século XIII, Abu Said. O santo deve ter abençoado o local, pois é um dos mais apreciados na Tunísia. Regressando de uma peregrinação a Meca, o santo instala-se na colina para fazer um retiro espiritual. Morreu em 1236 e o seu túmulo é objecto de peregrinação, assim como os túmulos dos seus discípulos.É de lei que nesta cidade só se pode pintar as paredesde branco e as janelas e portas de azul. Ainda assim,houve uma “ovelha negra”, que se diferencioupela sua porta amarela.Hora livre para ver os souks, medinas onde se compra de tudo, corredores com bancas de comerciantes, ruas estreitas e muito animadas e repleta de turistas. Nas bancas dos comerciantes predominam as gaiolas tunisinas e as cerâmicas pintadas à mão.Começa o “assédio”, e somos logo arrebatados por alguns comerciantes, que insistem em vender os seus produtos mais barato, dizendo, com desespero de causa, ao verem-nos ir embora: “Quel est ton prix?”, empatando-nos no nosso caminho. O tempo é sempre curto. Decidimos dar uma volta pela aldeia piscatória, tirar algumas fotos e sentar no “café des Nattes” mais conhecido da região, com o seu fantástico café de Natas e chá de pinhões.Os passeios por esta aldeia são inesquecíveis, subimos bastante, para de seguida descermos quase a pique, mas sempre com a inspiração de uma ou outra paisagem que espreita a cada miradouro por onde passamos, do golfo de Tunes. Pelas ruas encontramos variadas portas maravilhosamente decoradas tão típicas da região. O azul das portas é intenso e as ornamentações representam motivos tradicionais da cultura árabe, cada uma com o seu trabalhado, aumentado a sua beleza.Outro lugar para beber um chá de menta ou de pinhões quente (os tunisinos bebem tudo quente, pois alivia o calor, e acreditem porque é um facto), é uma esplanada com o nome de “Sidi Chebaane”. Situada sobre a falésia e com uma vista indescritível sobre o mar e as montanhas. A vista é tão espectacular que ficamos embriagados com o esplendor, intercalada pela grandiosidade das montanhas e recortada pelas praias e a marina em baixo.Este foi sem dúvida o local mais bonito que vi, sem contar com a beleza natural do deserto.Pausa para o almoço, mas sem grande tempo, pois de tarde vamos visitar o museu do Bardo, que nem num dia se deve conseguir ver.MUSEU DO BARDO
O museu do Bardo, reúne uma das maiores colecções do mundo de mosaicos romanos, bizantinos e cartagineses. O pouco que se sabe sobre a vida quotidiana da cidade de Cartago, está exposta em mosaicos.Estes mosaicos podem atingir 6 metros de cumprimento, de pequenas pedras de 1 a 2 Cms, pintadas à mão, ou até mesmo de cor original.O mosaico que vos apresento em cima, tem uma história maravilhosa.«Certo dia, Ulisses chegava ao porto de Djerba, com os seus homens. Este Porto era conhecido, pelas suas esbeltas sereias, que com o seu encanto e canções, seduziam os marinheiros, faziam-nos despenhar, roubando-lhe os seus pertences e tesouros. Ulisses ao chegar, combina com os seus homens, de enganar as sereias. Os homens prendem Ulisses à haste do seu barco e eles ficam a olhar noutra direcção. À medida que se aproximavam, as sereias, lançaram todos os seus poderes de sedução, mas ao verificarem que estes homens não se aproximavam, nem despenhavam, encheram-se de raiva e foram a nado ter com eles. A raiva, transformou-as metade mulheres, metade peixes.Este mosaico, encontra-se no museu, e relata a história de Djerba, mais à frente já na ilha, podemos ver uma imagem que reporta ao mesmo misticismo, mas desta em estátua.»Este museu é digno de se ver, mas acaba por se repetir demasiado, muitas histórias se cruzam, e acaba por se tornar maçador para os demais. No entanto, não deixa de ser rico pelo que porta.Regresso ao hotel e de rastos, não houve banho na piscina para ninguém, mas houve para uma despedida no jardim dos narguilés e um dedo de prosa com o nosso amigo Ali Halim.Curiosidades:Ao chegarmos a Cartago, a nossa amiga Andreia, escorregou nas escadas do Autobus, batendo com as costas. De louvar a rapidez e simpatia com que 2 Tunisinos, chegaram com gelo e panos, para que não inchasse ou fizesse negra.Ao longo da viagem tentaram trocar vários objectos nossos, por algo que tenham à venda. Comigo tentaram 3 vezes. Desta quiseram trocar um mosaico pelos meus maravilhosos óculos de 5,00€, obviamente disse que não, mas apenas porque não me agradou, claro.
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